(Português do Brasil) Disciplina do Curso de Medicina Veterinária da UFSC Curitibanos é matéria no jornal Folha de São Paulo

02/09/2019 08:41

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Disciplina de Endocanabinologia ministrada pelo professor Erik Amazonas de Almeida do curso de Medicina Veterinária virou matéria em blog do jornal Folha de São Paulo. A disciplina ministrada pelo professor Amazonas é fruto do trabalho de pesquisa que tem desenvolvido desde 2018 na UFSC, estudando o uso medicinal da maconha em animais domésticos.

A matéria está disponível apenas para assinantes, porém, é possível conferir detalhes da disciplina e pesquisa no texto encaminhado pelo professor pesquisador Erik Amazonas Almeida.

“Além da pesquisa científica, curso de graduação em Medicina Veterinária inclui disciplina de Endocanabinologia para a compreensão do tema. O uso medicinal da Maconha (Cannabis sativa), embora muito antigo, ainda é visto como novidade no Brasil. As possibilidades de uso e o poder terapêutico dessa planta são incomparáveis. Sabidamente eficiente nos mais diversos casos de câncer, Parkinson, esclerose múltipla, dores crônicas, inflamações e epilepsias, a real capacidade terapêutica da Cannabis é tão vasta quanto, ainda, desconhecida.

Sua potência terapêutica é fruto de sua ação no mais importante sistema fisiológico conhecido até hoje: o Sistema Endocanabinoide, formado por receptores celulares e moléculas específicas que regulam eventos celulares. Esses compostos são muito semelhantes aos canabinoides da maconha, atuam no mesmo sistema fisiológico e são, por isso, chamados de endocanabinoides (endo = interno, próprio; canabinoide: “que vem da cannabis”, em tradução livre).

O conjunto de receptores ativados pelos endocanabinoides (aqueles produzidos pelo homem ou animal) ou fitocanabinoides (produzidos pela planta) envolve não apenas receptores canabinoides clássicos (chamados CB1 e CB2), mas também uma infinidade de outros receptores comuns a todas as células do organismo humano e animal. Esses receptores, em conjunto, regulam absolutamente todos os aspectos do funcionamento saudável de uma célula. Esse sistema é o respnsável por manter as células e órgãos em perfeito funcionamento, o que chamamos de homeostasia.

Entender o funcionamento do sistema endocanabinoide é fundamental para entendermos o uso terapêutico da maconha nas suas mais diversas aplicações, permitindo compreender a influência e ação dos fitocanabinoides nesse sistema e traçar planos e estratégias terapêuticas eficientes e seguras. É nesse cenário que a que a disciplina Endocanabinologia foi pensada pelo professor Erik Amazonas.

Sempre houve, e ainda existe, uma imensa lacuna sobre o Sistema Endocanabinoide nos livros de fisiologia, farmacologia, toxicologia, clínicas médicas, e essa lacuna penetra as universidades, que simplesmente ignoram essa porção da ciência, já existente. O Sistema Endocanabinoide é conhecido desde a década de 1990, mas ainda não houve inserção desse conhecimento na formação acadêmica dos futuros médicos veterinários e demais profissionais da saúde.

A disciplina ministrada pelo professor Amazonas é fruto do trabalho de pesquisa que tem desenvolvido desde 2018 na UFSC, estudando o uso medicinal da maconha em animais domésticos.

A pesquisa, que é coordenada pelo professor Amazonas e conta com importantes parcerias de associações e institutos nacionais e internacionais, visa estudar os aspectos medicinais da Cannabis sativa e tem relatos de efeitos positivos em uma série de quadros inflamatórios, dor e controle de quadros convulsivos graves com uso de medicamento feito da extração completa das flores de Cannabis sativa (conhecido como “Espectro completo”, “full spectrum”). Além do controle das crises convulsivas ser imediato, é possível estabilizar os tremores focais em uma semana de uso do medicamento. Os animais voltam a frequentar parques, viajar, e ser um animal com comportamento de animal. Hoje, há relatos de cães com cinco meses de Cannabis como único medicamento, seguindo uma vida tranquila com 9 gotas diárias distribuídas em 3 aplicações sublinguais diárias”.