Alho roxo do Planalto Catarinense ganha selo de origem
Alho roxo do Planalto Catarinense conquista Denominação de Origem com participação da UFSC
O alho roxo produzido no Planalto Catarinense conquistou, em junho de 2026, o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO), junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento certifica que o produto cultivado na região apresenta características específicas relacionadas às condições naturais do território e ao conhecimento tradicional dos produtores.
A conquista é resultado de um amplo trabalho técnico-científico que contou com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio de pesquisadores do Campus de Curitibanos e do Centro de Ciências Agrárias (CCA), em Florianópolis. Os estudos desenvolvidos pela Universidade contribuíram para comprovar o chamado “nexo causal”, requisito para a concessão da Denominação de Origem.
Os professores Leocir José Welter e Cristian Soldi, do Departamento de Ciências Naturais e Sociais do Campus de Curitibanos, participaram do processo desde o início e estiveram à frente de pesquisas que demonstraram a relação entre as características do alho e as condições edafoclimáticas do Planalto Catarinense. Análises genético-moleculares, químicas e relacionadas ao aroma e à coloração do produto contribuíram para demonstrar cientificamente a singularidade do alho produzido na região.
De acordo com os estudos, embora o alho cultivado no Planalto Catarinense apresente a mesma base genética encontrada em outras regiões produtoras, as condições locais de solo, clima e manejo influenciam diretamente suas características. Entre os diferenciais identificados estão a maior intensidade de aroma e a coloração roxa mais acentuada, associadas às condições climáticas da região e às práticas tradicionais de cultivo e cura.
Também participaram das pesquisas os professores Miguel Pedro Guerra e Valdir Stefenon, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. O trabalho contou ainda com a parceria da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri-SC) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SC).
A Denominação de Origem abrange a produção de alho dos municípios de Caçador, Lebon Régis, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério. O registro estabelece critérios específicos de produção e representa uma forma de valorização da identidade territorial, do conhecimento dos produtores e das características diferenciadas do produto regional.
A certificação também representa uma perspectiva de fortalecimento da cadeia produtiva do alho no Planalto Catarinense. A região enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, às condições climáticas e à concorrência de produtos provenientes de outras regiões do Brasil e do exterior. A valorização decorrente da Indicação Geográfica pode contribuir para ampliar a competitividade do produto, fortalecer a agricultura familiar e preservar a importância econômica e social da cultura.
Santa Catarina é o terceiro maior produtor de alho do Brasil, com destaque para municípios do Planalto Catarinense. Segundo dados da Epagri-SC, a área plantada no Estado é de 747 hectares e a produção estimada para a safra 2025/2026 é de 8.635 toneladas.
A participação da UFSC na conquista da Denominação de Origem reforça a contribuição da Universidade para o desenvolvimento científico, tecnológico e socioeconômico do território catarinense. Pesquisas desenvolvidas pela instituição também contribuíram anteriormente para registros de Indicação Geográfica de produtos como a maçã Fuji, os vinhos de altitude, o mel de melato de bracatinga e o vinho do Vale das Uvas Goethe.
Para o Campus de Curitibanos, o reconhecimento evidencia a relevância da pesquisa científica desenvolvida na região e sua contribuição para a valorização de produtos, saberes e atividades econômicas características do Planalto Catarinense.

